terça-feira, novembro 08, 2005

Erva da Semana XIII: Tecnologia para Poupar Energia

Bons dias,

Estou sentado frente ao computador e vou pensando na forma como irei transmitir aquilo que me propus para esta semana. Vou escrevendo directamente para o computador, sem papel, sem caneta ou lápis e borracha. Apago, escrevo, altero e volto a reescrever, sempre directamente para o computador.

Uma pergunta surge:

- Qual o possível contributo das tecnologias para a redução das nossas necessidades energéticas?

Recordo-me de ter lido há vários anos um artigo sobre o assunto e desde então nada mais encontrei sobre o tema que aqui tenciono abordar. Não será meu objectivo estabelecer qualquer tipo de verdade ou apresentar quaisquer factos, na realidade não tenho qualquer tipo de informação específica sobre o assunto e como referi no início deste parágrafo, apenas li um artigo, ...mas isso foi mesmo há uns bons anos.

Pretende-se, em primeiro lugar, trazer o tema para discussão e será com naturalidade que surgirão interrogações.

Uma das questões centrais da relação do Homem com as tecnologias prende-se com o aproveitamento das vantagens que essas mesmas tecnologias nos trazem, sendo que muitas vezes verificamos a existência de hábitos, difíceis de alterar e impeditivos de um melhor aproveitamento do desenvolvimento tecnológico a que assistimos. Convém ter em mente que a velocidade do desenvolvimento tecnológico é distinta da velocidade de aprendizagem/assimilação desses mesmos desenvolvimentos pelos diferentes sectores da sociedade.

Pretende-se com isto dizer, que o benefício trazido hoje pelo desenvolvimento tecnológico só se verificará na sua totalidade relativamente mais tarde ao seu aparecimento, e passo a exemplificar.

A maioria das pessoas, sabe hoje o que é o Online-Banking. Podemos aceder à nossa conta bancária, fazer transferências, pagamentos, etc... enfim, podemos realizar uma série de operações que ainda há pouco tempo nos obrigava a uma deslocação ao banco. Significa isto que podemos contribuir activamente para poupar energia, uma vez que ao economizar tempo, deslocação, papeis, etc... estamos a diminuir a quantidade de energia necessária. Acontece que a grande maioria das pessoas continua a preferir o sistema tradicional. Continua a ir ao banco em vez de aceder à sua conta pela Internet, preferem passar cheque a fazer transferência bancária, etc... Isto deve-se naturalmente aos hábitos adquiridos no passado recente e apenas será possivel verificar os benefícios reais do Online-Banking no futuro, (neste caso, não muito longínquo), quando a situação for invertida, quando o hábito for aceder à conta bancária via Internet.

A Internet poderá vir a ter ainda um peso maior na economia de energia quando olhamos para o seu potencial em termos de distribuição e comercialização de alguns produtos possíveis de vender por Internet, que aliás já se encontram à venda e têm vindo a ganhar o seu espaço, demonstrando que o futuro da venda desses mesmos produtos será maioritáriamente feito via Internet.

Tradicionalmente a venda de um produto exige depois da sua produção, armazenamento central, distribuição por revendedores regionais (novo armazenamento), nova distribuição aos comerciantes/lojas com novo armazenamento e finalmente venda ao público, (ver figura 1)

Figura 1

Num sistema de venda directa por Internet a situação apresenta-se da seguinte forma, (ver figura 2)

Figura 2

Não será difícil de perceber que no sistema de venda directa por Internet é poupada uma quantidade significativa de energia. O facto de não serem necessárias instalações intemediárias para a revenda, o facto de o transporte ser feito directamente até ao cliente final e finalmente o facto de as encomendas serem feitas por Internet permite, economizar na ocupação de espaço fisico, em electricidade, em transporte e permite ainda optimizar a produção em relação ao numero de encomendas de forma a que também a necessidade de espaço no armazenamento central seja bem menor.

Certamente existirão aqueles que ao observarem as duas figuras, irão argumentar que a segunda será catastrófica, criando uma onda de desemprego. Contudo se tivermos uma visão mais ampla, facilmente chegaremos à conclusão que dessa forma será possível a libertação de recursos para outras áreas, que os produtos podem efectivamente ser mais baratos e igualmente terem um menor impacto ambiental.

A Internet permite ainda em algumas áreas de actividade, nomeadamente no sector de serviços, que se torne possível trabalhar a partir de casa, evitando as deslocações diárias à empresa para que se trabalha. Mas neste ponto particular é exigida uma profunda alteração de hábitos e o desenvolvimento de relações de trabalho baseadas na confiança e total responsabilização do trabalhador pelo seu trabalho. Bem sei que isto não é possivel aplicar a trabalhadores de uma linha de produção industrial, mas em muitas actividades é possivel. Com o facto de se passar a deslocar menos vezes é possivel aumentar a productividade, a motivação e ficar tudo mais barato.

Ora vejamos:

Um trabalhador que se desloque diariamente para o trabalho, gasta tempo no transito, frequentemente com engarrafamentos, contribuindo para mais poluição e para que o trabalhador chegue ao seu local de trabalho com níveis de stress anormais para a manhã. Como se executa o trabalho na empresa são necessárias instalações com espaço de trabalho individuais, inúmeros computadores, etc... a empresa ocupa mais espaço e gasta mais energia.

No caso do trabalhador que faz o seu trabalho maioritariamente a partir de casa. Levanta-se e pode tomar o pequeno almoço descansado enquanto liga o computador. Como não tem que enfrentar o transito pode dormir um pouco mais, mas também pode trabalhar um pouco mais. Às 8h e 30 min o trabalhador encontra-se calmo e diponível a dar o seu melhor. Existe tempo para a familia, poupa gasolina, encontra-se no seu meio e com computador, Internet, telefone e fax está permanentemente em contacto com a empresa para quem trabalha.

Semanalmente pode-se deslocar duas ou três vezes à empresa para reuniões de trabalho ou outros assuntos. As deslocações não necessitam de ser na hora de ponta, fazendo com que seja mais rápido e gastando menos combustível, logo também poluindo menos. As instalações da empresa onde trabalha são agora menores, uma ou duas salas de reuniões e um ou outro gabinete pessoal para a direcção, os custos em electricidade são significativamente menores e os subsídios de transporte e alimentação deixaram de existir.

Espero com estas ideias poder contribuir para uma nova perspectiva de mudança, onde é possivel ter mais tempo, ser mais eficiente e atingir a sustentabilidade. Seria gratificante verificar uma verdadeira discussão sobre este tema, dada a forte convicção de que as tecnologias nos permitem de facto mudar, nós pelo contrário, na maioria das vezes, por conservadorismo, tendemos a manter os velhos hábitos, mesmo sendo penalizadores do nosso bem estar.

Mas não é só a Internet que vem possibilitar uma economia de energia. Também o desenvolvimento tecnológico, desde electrodomesticos até à arqutectura dos edifícios. O desenvolvimento tecnológico é de facto essencial para que possamos atingir o objectivo de criar uma sociedade sustentável, que viva em harmonia com a natureza e em paz consigo mesma.

Afinal, trata-se de mudar a nossa forma de estar na vida

3 Comments:

At 6:41 da tarde, Blogger tneves said...

para uma Erva de improviso, digo-te que ficou bem interessante!!
os exemplos referidos são bem demonstrativos das mudanças comportamentais e culturais que nós vivemos nestes tempos... mas tudo leva o seu tempo!
quem sabe se os nossos filhos não saberão o significado de frases como "fila de espera", "balcão de atendimento", "talão de compra" ou mais utopicamente falando, saberão eles o que é um monitor, um teclado ou um dispositivo apontador aka rato?!?

"-Pai, o que é um blog?!?!?!"

 
At 8:00 da tarde, Anonymous Pedro Martins said...

Antes de mais, parabéns pelo texto e por levantar a ponta do véu.
Na minha opinião, por muito boas ideias que apareçam, a questão a ultrapassar é sempre o hábito instalado e a rotina. MUDAR CUSTA MUITO. Mesmo que se exponham as situações da melhor maneira.
A abordagem ao tema da Internet foi clarificadora e mostra como poderá ser o nosso futuro. NÃO INTERESSA O LOCAL ONDE NOS ENCONTRAMOS PARA TRABALHARMOS DA MESMA FORMA OU MELHOR. Basta para isso estarmos ligados a uma rede de informação para que possamos realizar todas as operações.
Mas uma questão que merece destaque e que deverá também acompanhar as nossas preocupações, é a questão da poupança de energia em casa e nos edifícios que utilizamos. Portugal tem ainda muito que aprender neste campo e a resistência do hábito de técnicas antigas ainda faz com que todo este processo demore a implementar-se. Mesmo com a publicação do DL 80/2006 RCCTE (dowload em http://grupo-e.inet.pt/), que nos obriga a pensar a sério sobre a eficiência energética dos nossos edifícios, prevê-se que ainda demore até que consigamos garantir que fazermos edifícios melhores e que racionalizam a energia que gastamos. A minha experiência e de uns colegas, diz-nos que mesmo criando empresas em que se reunem técnicos qualificados para o efeito, ainda temos um longo caminho a percorrer. É o caso, por exemplo da Grupo-E que se propõe colocar ao serviço da energia e portanto do ambiente, as novas tecnologias ligadas à construção de efifícios e à gestão de energia de modo a permitir que se possa evoluir neste campo. página para consulta em www.grupo-e.inet.pt. Até sempre, Pedro Martins

 
At 2:25 da tarde, Anonymous Anónimo said...

tá muito fixe era o que eu queria, Há muito poucos saites sobre isto
abraço

 

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