quarta-feira, novembro 30, 2005

Notas para uma estratégia de ecopólis

Mais uma excelente peça do Prof. Jacinto Rodrigues disponivel no Blog Desenvolvimento Ecológicamente Sustentável

terça-feira, novembro 29, 2005

Eco-Sapiens II: Hundertwasser

Friedensreich Hunderwasser (15.12.1928 - 19.02.2000)
Dia 19.02.2000 Hundertwasser morre, enquanto uma onda de protesto contra o Governo de Haider se estende a toda a Austria.

Quem é Hundertwasser?

Hundertwasser nasce em Viena a 15 de Dezembro de 1928.

Havia nascido um dos artistas mais apaixonantes e maravilhosos do Sec. XX, a sua obra é notável, pela paixão e pela visão de um Mundo em que o Homem possa habitar em harmonia com a natureza.

Hundertwasser deixou-nos inumeras criações, mas aquelas que fazem dele um grande Eco-Sapiens talvez sejam mais evidentes na sua arquitectura onde a influência das formas da natureza e a introdução de elementos naturais são conseguidos de forma genial.

Hundertwasse demonstra na práctica que, o Sonho de viver de forma equilibrada com a natureza, de compensar a natureza pelo espaço ocupado pelo Homem é possivel integrando espaços verdes nos edificios.

Hunderwasser funde a natureza com a arquitectura de uma forma que talvez só vendo um pouco se possa compreender.

Deixo-vos com algumas imagens que descrevem melhor o Eco-Sapiens Huderwasser do que as minhas palavras.

Figura 1: Hoje casa das artes em Viena/Austria Figura 2: Waldspirale em Darmstadt/Alemanha, (notem que todo o telhado em rampa é um espaço verde) Figura 3: Mais um exemplo em Baden Soden/Alemanha

segunda-feira, novembro 28, 2005

Manifesto: Dia Sem Compras

Neste último sábado a MOVE com auxílio do Blog Solariso esteve em Viseu e Lisboa a participar activamente no Dia Sem Compras. Desta vez não podemos estar em mais localidades, mas contamos estar em mais sítios no próximo ano, contando com a ajuda de todos os interessados. O Dia Sem Compras volta apenas para o Ano, até lá tentemos ser mais conscientes sobre o consumo. Tendo ainda entrado em época de NATAL, chamamos a V/ atenção para a campanha Eco-Natal da Organização GAIA

quinta-feira, novembro 24, 2005

Erva da Semana XV: 26 de Novembro Dia Sem Compras

O Blog Solariso conjuntamente com a MOVE encontram-se activos dia 26 de Novembro, Dia Sem Compras. Propomos distribuir por todos interessados o Manifesto que deixamos abaixo transcrito e que coincide também com a edição da Erva da Semana XV.

Para todos os interessados podemos enviar o Manifesto em formato pdf para o e-mail, bastando que nos enviem um mail ou que expressem essa vontade em comentário.

MANIFESTO DIA SEM COMPRAS

Dia 26 de Novembro 2005

PASSE UM EXCELENTE DIA SEM COMPRAS

VÁ AO PARQUE E NÂO AO SHOPPING

COMPRE PARA VIVER – NÃO VIDA PARA COMPRAR

EDUQUE A COMPRAR – NÂO COMPRE PARA EDUCAR

PROMOTORES:

SOLARISO

INTRODUÇÃO

Dia 26 de Novembro é dia sem compras.

Conscientes das implicações e consequências ambientais de uma sociedade exageradamente consumista, decidimos participar de forma activa na comemoração deste dia, onde o essencial passa pela consciencialização da sociedade de consumo para os efeitos negativos da sua postura consumista. A forte presença do materialismo na sociedade, levando esta a procurar felicidade e prazer pelo consumo, atingiu proporções desumanas, contribuindo durante décadas para a degradação do Ambiente, para uma sociedade cada vez mais egoísta, fútil e infeliz. Vemos isso, todos os dias, na altura do Natal que se aproxima, onde muitas das vezes, mesmo que inconscientemente, se procura compensar, recorrendo ao consumo, a falta de tempo, de afecto, etc...

Este dia nada mais é do que uma reflexão para a necessidade cada vez mais óbvia de mudar. Necessitamos alterar os nossos hábitos consumista, para que o desenvolvimento sustentável seja possível de alcançar, necessitamos de diminuir as nossas necessidades energéticas, necessitamos de produzir menos resíduos, de valorizar os materiais recicláveis e negar ao que não é reciclável, assim como necessitamos de apostar em produtos com maior longevidade em detrimento dos produtos de curta utilidade.

Necessitamos de ser consciente quando compramos. O dia sem compras é também por isso um dia de protesto contra a corrente materialista que se instalou nas sociedades modernas, um protesto contra o principio de que o consumo é um factor positivo para a Economia, um protesto contra o poder político e económico que vendendo a ideia da felicidade fácil através do consumo tem consumido o Planeta, enriquecido poucos e iludido a maioria.

Por isto tudo existe um dia sem compras, para que possamos reflectir e tornarmo-nos mais conscientes sobre a nossa responsabilidade como consumidor, para que a cada ano existam mais pessoas a alterar os seus hábitos, a estarem mais atentas e conscientes.

FACTOS

Os factos que hoje conhecemos são inegáveis, 20% da população mundial consome 80% da totalidade dos recursos naturais, prevalecendo os princípios de produção massiva e desperdício massivo, temos necessidades exageradas de bens materiais que em parte “impõe ao mundo subdesenvolvido a condição de pobreza. O planeta simplesmente não consegue suportar toda a população mundial com a exigência energética equivalente à dos países mais desenvolvidos. Por isso, e para que se torne possível compartilhar de forma mais justa todos os recursos do planeta pela população mundial, exige-se a alteração dos actuais padrões de consumo presentes nos países mais desenvolvidos.

Nos dias de hoje o consumo e a produção são considerados factores benéficos para a economia, contrastando com outro conceito de economia, chamado de economia solar, em que os factores de sucesso não são a produção e consumo, mas sim a capacidade de produzir de acordo com a necessidade e da inovação tecnológica que garanta a manutenção do stock total necessário, com menos produção e menos consumo. Desta forma uma economia solar facilita a implementação do desenvolvimento sustentável uma vez que não existe a necessidade de produzir em quantidade para ser competitivo.

Com escreveu, o Professor Doutor Jacinto Rodrigues, catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, no resumo do seu artigo “O Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável…Alternativa ao Capitalismos na Era da Globalização”:

“Não é possível construir uma sociedade de justiça social sem mudança do modelo territorial energético, baseado na sustentabilidade ecológica. A ecologia, como fundamento substantivo da política e da técnica, torna-se essencial para a alternativa ao paradigma do capitalismo na fase da globalização.”

A PUBLICIDADE É ANTI-ECOLÓGICA E INIMIGA DA DIVERSIDADE CULTURAL

Diariamente cada individuo é confrontado com aproximadamente 3.000 mensagens publicitarias, pela televisão, pelos cartazes, na caixa do correio, no e-mail, no telemóvel, podendo mesmo ser afirmado que existe uma clara invasão da nossa privacidade e liberdade, tal a pressão publicitária existente à nossa volta. A publicidade é o instrumento que ilude, que cria a imagem, que vende a ideia de felicidade pelo consumo, de vida fácil, desde o detergente até à compra de uma casa. É também a publicidade que agride a formação humana dos nossos filhos uma vez serem estes mais sensíveis e menos conscientes. Aliás quero fazer aqui um pequeno parágrafo em relação às crianças.

Muitas das estratégias de marketing atingiram a perversidade ao adoptarem uma publicidade direccionada aos mais novos, uma vez que estes são mais sensíveis à mensagem e são um veículo até aos adultos, “os pais”, convencendo-os mais facilmente a aderir a um produto. Este tipo de estratégia para além de perversa e imoral é indiscutivelmente um acto de deformação na formação Humana dos nossos filhos uma vez que estes crescem com a ideia de o consumo ser em certo modo uma forma de vida, aquilo que dá sentido à vida, ou seja o fútil é bom, o ter boas roupas, um bom carro, ir de férias para o estrangeiro, etc…são vistos como factores de felicidade. Talvez por aqui se possa começar a compreender o aumento das depressões em pessoas cada vez mais novas.

Em muitos aspectos a publicidade promove também o desemprego, visto estar principalmente ao serviço dos grandes grupos empresariais que regra geral recorrem ao uso intensivo da tecnologia em detrimento do emprego mão-de-obra, aumentando assim as suas margens de lucro.

A imposição da ideia de felicidade através do consumo irracional e a imposição de modos de vida estandardizados em todo o planeta são ainda um atentado a diversidade e identidade cultural, essa sim verdadeira fonte de riqueza, de inspiração e criatividade.

Pela publicidade é promovido o culto da aparência, do egoísmo, do sexismo, deformando assim a verdadeiras características da natureza Humana e Ecológicas.

CONCLUSÃO

Ao estarmos conscientes sobre os problemas inerentes a uma sociedade de consumo não podemos ficar indiferentes.

Não foi nossa intenção abordar toda a complexidade e todos os factores, pretendemos apenas contribuir para que a consciencialização sobre o consumo, seja real, para que tenhamos a noção de que os nossos filhos crescem numa sociedade onde as aparências e a futilidade são sobrevalorizadas.

POR ISTO PASSE UM BOM DIA SEM COMPRAS E COMPRE A PARTIR DE AMANHÃ PARA VIVER, NÃO VIVA PARA COMPRAR

sexta-feira, novembro 18, 2005

Erva da Semana XIV: Ambiente da Politica

Como os meus caros leitores sabem este é um Blog que privilegia assuntos relacionados com o Ambiente e como foi escrito em sub-titulo de apresentação deste Blog aqui defende-se que;

“O Meio Ambiente deve ser mais do que apenas a preocupação, a conservação e a protecção. O Meio Ambiente deve ser a base filosófica para a Evolução da Humanidade e continuidade da Vida no Planeta Terra.”

É nesta perspectiva que nos parece propicio falar aqui do ambiente da politica, numa tentativa de fugir um pouco à rotina das politicas do ambiente.

Fala-se muito em necessidades de preservar, de inovar, de crescer, etc, etc…no entanto todos nós sabemos que apenas sobreviveremos se o o desenvolvimento for sustentável. As necessidades de que ouvimos falar e falamos, todas elas estão assentes em princípios e ideias com décadas, sendo que as ideias que foram válidas, nasceram, cresceram e consolidaram-se. Infelizmente, e como diz o Povo, “para mal dos nossos pecados”, toda a realidade social e económica mudou, a económica por vontade do Homem e a Social por força da económica, fazendo com que as ideias que outrora deram frutos sejam hoje impotentes perante a realidade dos nossos dias. No fundo o que mudou foi o Poder, antes era pertença dos políticos, hoje pertença das grandes empresas, do capital.

Exige-se uma correcção na forma como hoje o nosso sistema social–político-económico se encontra organizado. E isso só será possível com, um melhor ambiente na politica, com uma estratégia global, principalmente na área económica.

Como podemos nós aceitar que empresas europeias e americanas deixem no desemprego milhares de pessoas, para irem para outros países onde as exigências ambientais são incomparáveis com aquelas que existem no Ocidente? Mas para além da desresponsabilização das empresas em termos desemprego existe ainda a imoralidade dos atentados ao ambiente que estas empresas levam a cabo em nome do lucro.

Como podemos permitir que uma empresa, não seja obrigada a exportar o mesmo nível tecnológico do seu país, quando exista interesse em se mudar para um pais menos desenvolvido? Será que devemos deixar continuar que as empresas tenham caras diferentes em países diferentes? Será que não existe uma responsabilidade social das empresas perante a sociedade?

O Ambienta da política tem que mudar. A necessidade de inovar e de preservar existe, mas nunca resultará se for baseada nos princípios em que se baseia a nossa sociedade desde décadas.

Exige-se que a sociedade, “máquina, de consumo dê lugar a uma sociedade gestora dos seus recursos.

Exige-se que as empresas sejam responsabilizadas, no sentido de as obrigadas a exportar o mesmo nível tecnológico e respeitar as mesmas exigências ambientais do seu pais de origem caso estas sejam superiores.

Exige-se que o lucro seja investido em boa parte para a criação de postos de trabalho.

Exige-se ainda uma responsabilização de toda a sociedade, porque as empresas também elas são pessoas.

Mas exige-se acima de tudo uma maior consciência social de todos.

Neste sentido a politica pode mudar.

É possível um melhor ambiente na politica, desde que esta esteja disposta a responsabilizar toda a sociedade, incluindo empresas e não fazer destas uma espécie de Vaca Sagrada.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Caos urbanístico em Portugal: escolha política ou fatalidade cultural?

Entrevista muito esclarecedora de Pedro Bingre do Amaral. Sem dúvida a sua leitura ajuda a perceber melhor os porques do caos urbanistico que se assiste no país. Para ler basta clicar no titulo do artigo, publicado no Blog Ambio

quarta-feira, novembro 09, 2005

Solariso Apoia Manuel Alegre

Caros leitores,

Quando iniciei este Blog nunca foi um propósito ter qualquer conotação politica. No entanto com o aproximar das eleições presidenciais e depois de ter tido um primeiro contacto com as ideias dos vários candidatos, decidi que esta terá de ser uma excepção na vida deste Blog.

Há anos que me abstenho em eleições, sinceramente, por não sentir uma real diferença entre candidatos ou entre partidos, principalmente aqueles que tradicionalmente disputam o poder, mas desta vez vejo um candidato diferente. Ao ouvir as palavras de Manuel Alegre, um Homem livre nas suas ideias, na apresentação do seu Manifesto Eleitoral devo dizer que fiquei bastante sensibilizado. Para não ter dúvidas estive ainda ontem a ler na integra o texto do Contrato Presidencial apresentado por Manuel Alegre e chegando ao fim apenas se confirmou a minha convicção. Vou apoiar Manuel Alegre.

Aqui deixo alguns excertos do Contrato Presidencial que fundamentam as razões do meu apoio.

Texto Integral

“Há um ciclo de vida que está a acabar e outro, ainda sem contornos claros, que está a nascer.”

“…há duas maneiras de entender a identidade de um povo: a identidade-raízes e a identidade-projecto.”

“Candidato-me pela igual liberdade de homens e mulheres”

“…penso ainda nos muitos milhares de portugueses, jovens e qualificados, que, nos nossos dias, continuam a procurar fora de Portugal oportunidades e condições de vida que por cá não encontram. Portugal não pode continuar a alienar este importante capital humano.”

“É urgente desbloquear a entrada na vida adulta dos jovens portugueses, em condições de dignidade e independência.”

“Confunde-se frequentemente precariedade com “flexibilidade”, o que na prática significa diminuição dos direitos dos trabalhadores.”

“O Presidente tem de ser o garante da saúde da nossa vida democrática,…Não pode assistir passivamente à ocupação partidária dos lugares de nomeação pública.”

“Não basta que um candidato faça afirmações genéricas sobre a necessidade de intransigência perante o laxismo e a corrupção. Não se pode, por exemplo, deixar de perguntar se um cidadão pronunciado, ainda que sem pôr em causa a presunção de inocência, poderá ser candidato a cargos políticos.”

“Defender o território implica que o Presidente não seja indiferente ao “desordenamento” do territorio. Que tenha a noção aguda da importância estratégica do povoamento harmonioso do país (cujo primeiro estratega foi D.Sancho I), como instrumento fundamental da preservação da agricultura, do mundo rural, do combate aos fogos florestais e da descentralização efectiva do país. A suburbanização acelerada, que traz consigo a degradação social e humana das periferias, a destruição do litoral, o abandono dos velhos centros históricos e a morte das aldeias, cria situações insustentáveis. Não é apenas a salvaguarda do território que está em causa: é a nossa própria identiodade nacional.

E preciso inverter esta tendência suicidária. A especulação, a ganância e o dinheiro fácil não podem prevalecer sobre o interesse colectivo. É preciso garantir clareza, transparência e igualdade no cumprimento da lei, pondo fim a promiscuidades que levam a expectativas ilegítimas de ocupação do solo. Só assim se poderá defender a nossa paisagem e o nosso património, natural e edificado, como parte integrante da herança que recebemos e que não pode ser delapidada a benefício de uns poucos e em prejuízo da qualidade de vida de todos.”

“Será que a Constituição está a ser cumprida quando há dois milhões de portugueses em estado de pobreza, mais de meio milhão de desempregados, tantas famílias sem habitação condigna, tantos atentados ao meio ambiente, tanto insucesso e abandono escolar, tantas assimetrias regionais e desiquilibrios sociais? Será que a Constituição está a ser cumprida quando Portugal é o país da Europa em que mais se agravaram as desigualdades?”

“Um dos pressupostos do neo-liberalismo é o de que é preciso criar riqueza para depois distribuir melhor. Fazer crescer o bolo antes de o repartir. Os factos têm desmentido regularmente este proclamado princípio. O que se tem visto com frequência é que o enriquecimento vem a par do aparecimento de desigualdades.”

“…a minha candidatura sugere a realização de um Pacto Económico e Social por um período curto de dois ou três anos. Um pacto que envolva o governo, os partidos, os sindicatos e as confederações sindicais, as confederações e associações patronais, assim como a Associação Nacional de Municípios, para a definição ou ajuste da politica fiscal e das políticas de emprego, salários, lucro, reforma da administração pública, da saúde e da segurança social.”

“Para tornar Portugal mais competitivo é preciso mudar o que faz mudar. E o que faz mudar é a qualificação das pessoas, a educação, a formação profissional, a cultura, a comunicação, a produção e divulgação cientifica, a inovação tecnológica.”

“A questão chave da economia moderna é a de saber como dar mais capital social aos cidadãos para os tornar mais criativos, mais autónomos, mais produtivos, mais empreendedores. É por ai que passa o desenvolvimento.

A inovação social é condição indispensável da própria competitividade empresarial.”

“Uma cultura de inovação implica a democratização e modernização dos sistema educativo.”

“A guerra não é solução credível nem compatível com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.”

“…proponho que Portugal adopte uma politica internacional baseada numa diplomacia de paz. …Uma diplomacia favorável à eliminação da violência na relações internacionais. …Uma diplomacia que contrarie a cultura de morte alimentada pelo terrorismo e pelos extremismos de toda a espécie.”

“Não me conformo com uma visão da Europa que a reduza a um vasto mercado. Não partilho da lógica monetarista e neo-liberal que alguns defendem, porque põe em causa equilíbrios sociais consagrados na Europa.

O tratado constitucional europeu deve ser refeito ou revisto de modo a simplifica-lo e permitir submetê-lo a um referendo europeu novo e geral.”

“Penso, como Jacques Delors, que não há um só povo, há povos europeus. E estou de acordo com a sua fórmula: “A União Europeia deve continuar a ser uma associação voluntária de nações.”

“…Temos de tornar claro que não interpretamos o extremismo religioso como fazendo parte da cultura islâmica, com a qual temos laços de proximidade que devemos aprofundar.

A importância que atribuímos ás relações transatlânticas e à tradicional aliança com os estados Unidos não nos deve impedir de criticar o voluntarismo unilateral da actual politica externa norte-americana. Defendo a necessidade de reforçarmos as instituições da comunidade internacional, a favor da existência de uma jurisdição internacional onde sejam julgados crimes imprescritíveis e sem fronteiras, como por exemplo o Tribunal Penal Internacional.”

“Proponho que a CPLP tenha uma capital rotativa que organize a cada dois anos o Encontro da Lusofonia, envolvendo dirigentes políticos, agentes económicos e empresariais, criadores culturais, organizações não governamentais.”

“As nossas Forças Armadas precisam de se redimensionar… uma estrutura menos pesada…”

“A própria luta anti-terrorista…jamais poderá por em causa os direitos humanos e os princípios fundamentais da Democracia.”

“A semelhança do que acontece noutros países, por exemplo nos Estados Unidos da América, é urgente que os princípios constitucionais e a organização do Estado sejam ensinados nas escolas de forma simples e clara.

A Constituição pertence ao Povo e é pelo seu conhecimento que começa a cidadania.”

“…o Presidente não é só um garante nem um regulador. Deve ser também um catalisador e um inspirador, exercendo um magistério de proximidade e de exigência.”

“Cada povo tem a sua singularidade e de cada vez que ela diminui o mundo fica mais pobre.”

“Não há donos do voto nem da consciência dos homens e das mulheres livres de Portugal.”

terça-feira, novembro 08, 2005

Erva da Semana XIII: Tecnologia para Poupar Energia

Bons dias,

Estou sentado frente ao computador e vou pensando na forma como irei transmitir aquilo que me propus para esta semana. Vou escrevendo directamente para o computador, sem papel, sem caneta ou lápis e borracha. Apago, escrevo, altero e volto a reescrever, sempre directamente para o computador.

Uma pergunta surge:

- Qual o possível contributo das tecnologias para a redução das nossas necessidades energéticas?

Recordo-me de ter lido há vários anos um artigo sobre o assunto e desde então nada mais encontrei sobre o tema que aqui tenciono abordar. Não será meu objectivo estabelecer qualquer tipo de verdade ou apresentar quaisquer factos, na realidade não tenho qualquer tipo de informação específica sobre o assunto e como referi no início deste parágrafo, apenas li um artigo, ...mas isso foi mesmo há uns bons anos.

Pretende-se, em primeiro lugar, trazer o tema para discussão e será com naturalidade que surgirão interrogações.

Uma das questões centrais da relação do Homem com as tecnologias prende-se com o aproveitamento das vantagens que essas mesmas tecnologias nos trazem, sendo que muitas vezes verificamos a existência de hábitos, difíceis de alterar e impeditivos de um melhor aproveitamento do desenvolvimento tecnológico a que assistimos. Convém ter em mente que a velocidade do desenvolvimento tecnológico é distinta da velocidade de aprendizagem/assimilação desses mesmos desenvolvimentos pelos diferentes sectores da sociedade.

Pretende-se com isto dizer, que o benefício trazido hoje pelo desenvolvimento tecnológico só se verificará na sua totalidade relativamente mais tarde ao seu aparecimento, e passo a exemplificar.

A maioria das pessoas, sabe hoje o que é o Online-Banking. Podemos aceder à nossa conta bancária, fazer transferências, pagamentos, etc... enfim, podemos realizar uma série de operações que ainda há pouco tempo nos obrigava a uma deslocação ao banco. Significa isto que podemos contribuir activamente para poupar energia, uma vez que ao economizar tempo, deslocação, papeis, etc... estamos a diminuir a quantidade de energia necessária. Acontece que a grande maioria das pessoas continua a preferir o sistema tradicional. Continua a ir ao banco em vez de aceder à sua conta pela Internet, preferem passar cheque a fazer transferência bancária, etc... Isto deve-se naturalmente aos hábitos adquiridos no passado recente e apenas será possivel verificar os benefícios reais do Online-Banking no futuro, (neste caso, não muito longínquo), quando a situação for invertida, quando o hábito for aceder à conta bancária via Internet.

A Internet poderá vir a ter ainda um peso maior na economia de energia quando olhamos para o seu potencial em termos de distribuição e comercialização de alguns produtos possíveis de vender por Internet, que aliás já se encontram à venda e têm vindo a ganhar o seu espaço, demonstrando que o futuro da venda desses mesmos produtos será maioritáriamente feito via Internet.

Tradicionalmente a venda de um produto exige depois da sua produção, armazenamento central, distribuição por revendedores regionais (novo armazenamento), nova distribuição aos comerciantes/lojas com novo armazenamento e finalmente venda ao público, (ver figura 1)

Figura 1

Num sistema de venda directa por Internet a situação apresenta-se da seguinte forma, (ver figura 2)

Figura 2

Não será difícil de perceber que no sistema de venda directa por Internet é poupada uma quantidade significativa de energia. O facto de não serem necessárias instalações intemediárias para a revenda, o facto de o transporte ser feito directamente até ao cliente final e finalmente o facto de as encomendas serem feitas por Internet permite, economizar na ocupação de espaço fisico, em electricidade, em transporte e permite ainda optimizar a produção em relação ao numero de encomendas de forma a que também a necessidade de espaço no armazenamento central seja bem menor.

Certamente existirão aqueles que ao observarem as duas figuras, irão argumentar que a segunda será catastrófica, criando uma onda de desemprego. Contudo se tivermos uma visão mais ampla, facilmente chegaremos à conclusão que dessa forma será possível a libertação de recursos para outras áreas, que os produtos podem efectivamente ser mais baratos e igualmente terem um menor impacto ambiental.

A Internet permite ainda em algumas áreas de actividade, nomeadamente no sector de serviços, que se torne possível trabalhar a partir de casa, evitando as deslocações diárias à empresa para que se trabalha. Mas neste ponto particular é exigida uma profunda alteração de hábitos e o desenvolvimento de relações de trabalho baseadas na confiança e total responsabilização do trabalhador pelo seu trabalho. Bem sei que isto não é possivel aplicar a trabalhadores de uma linha de produção industrial, mas em muitas actividades é possivel. Com o facto de se passar a deslocar menos vezes é possivel aumentar a productividade, a motivação e ficar tudo mais barato.

Ora vejamos:

Um trabalhador que se desloque diariamente para o trabalho, gasta tempo no transito, frequentemente com engarrafamentos, contribuindo para mais poluição e para que o trabalhador chegue ao seu local de trabalho com níveis de stress anormais para a manhã. Como se executa o trabalho na empresa são necessárias instalações com espaço de trabalho individuais, inúmeros computadores, etc... a empresa ocupa mais espaço e gasta mais energia.

No caso do trabalhador que faz o seu trabalho maioritariamente a partir de casa. Levanta-se e pode tomar o pequeno almoço descansado enquanto liga o computador. Como não tem que enfrentar o transito pode dormir um pouco mais, mas também pode trabalhar um pouco mais. Às 8h e 30 min o trabalhador encontra-se calmo e diponível a dar o seu melhor. Existe tempo para a familia, poupa gasolina, encontra-se no seu meio e com computador, Internet, telefone e fax está permanentemente em contacto com a empresa para quem trabalha.

Semanalmente pode-se deslocar duas ou três vezes à empresa para reuniões de trabalho ou outros assuntos. As deslocações não necessitam de ser na hora de ponta, fazendo com que seja mais rápido e gastando menos combustível, logo também poluindo menos. As instalações da empresa onde trabalha são agora menores, uma ou duas salas de reuniões e um ou outro gabinete pessoal para a direcção, os custos em electricidade são significativamente menores e os subsídios de transporte e alimentação deixaram de existir.

Espero com estas ideias poder contribuir para uma nova perspectiva de mudança, onde é possivel ter mais tempo, ser mais eficiente e atingir a sustentabilidade. Seria gratificante verificar uma verdadeira discussão sobre este tema, dada a forte convicção de que as tecnologias nos permitem de facto mudar, nós pelo contrário, na maioria das vezes, por conservadorismo, tendemos a manter os velhos hábitos, mesmo sendo penalizadores do nosso bem estar.

Mas não é só a Internet que vem possibilitar uma economia de energia. Também o desenvolvimento tecnológico, desde electrodomesticos até à arqutectura dos edifícios. O desenvolvimento tecnológico é de facto essencial para que possamos atingir o objectivo de criar uma sociedade sustentável, que viva em harmonia com a natureza e em paz consigo mesma.

Afinal, trata-se de mudar a nossa forma de estar na vida

sexta-feira, novembro 04, 2005

Relembrar: Pare Escute e Olhe

Talvez tudo fosse diferente se pudéssemos contemplar o nosso Planeta do espaço. Talvez tudo fosse diferente se tivéssemos tempo para olhar à nossa volta. Talvez tudo fosse diferente se não tivéssemos todo este ruído à nossa volta e pudéssemos verdadeiramente escutar. Talvez...

BOM FIM DE SEMANA

quarta-feira, novembro 02, 2005

Erva da Semana XII: Chuva

Meus Amigos,

Poucas, talvez, serão as palavras que vos deixarei para esta semana. Não por falta de assunto, não por falta de motivação para escrita, nem mesmo por preguiça.

Recordo que os dias de chuva sempre foram dias que me puseram a pensar. Desde de miúdo, na marquise da minha avó a olhar a terra a ser molhada, a chuva deixa-nos ficar mais por casa, ficamos mais silenciosos, mais calmos, mas próximos de nós próprios.

Andamos no Verão a falar, alertar, para o problema da água, entre outros, andamos nervosos pela incerteza de quando haveria de chover. A verdade é que tudo que foi feito foi pouco, tudo que foi feito não chegou, não resultou, nem chegou mesmo aos ouvidos das pessoas.

Talvez estes dias de chuva sejam uma boa altura para reflectir, talvez estes dias de chuva nos relembrem de como é bom sentir a chuva, ouvir a chuva e principalmente sentir o cheiro da terra molhada a estender-se pelo ar.

Não será prudente fechar os olhos e convencermo-nos de que a seca já passou, não será prudente ao Ministério do Ambiente adiar a sensibilização para a poupança de água até ao próximo verão.

As barragens podem-se ir enchendo, mas não estão cheias, os lençóis de água podem estar a carregar, mas ainda não foram compensadas as perdas.

Temos que nos educar a poupar água, temos que nos convencer que vivemos numa região do globo sensível e propicia a períodos de seca, que poderão se agravar. Temos também de recordar que no Ambiente não existem problemas simples e que a realidade actual é fruto de um complexo sistema que procura encontrar o equilíbrio. É nossa função ajudar para que o equilíbrio seja alcançado e para tal teremos de alterar os nossos hábitos.

Segundo o artigo publicado no Blog Ambio a região mediterrânea é mais vulnerável às alterações climatéricas. Segundo os estudos feitos, na zona do mediterrâneo podem ser esperados aumentos moderados da temperatura e diminuição da precipitação, sendo que esta diminuição de precipitação em períodos de verão poderá ser de 27% para a Península Ibérica. Isto traduzir-se-á num aumento da aridez.

Muitas regiões da Península Ibérica já se encontram normalmente num estado de aridez severa. Basta viajar pelo centro de Espanha, ou ver no Algarve e Alentejo com são sempre os mais afectados pelos períodos de seca.

Por isso que temos de poupar água dado ser um bem essencial à vida.

Por isso que temos de poupar energia para reduzir a emissão de gases com efeito estufa para que o aumento da temperatura média possa ser combatido.

Não nos podemos esquecer…e a chuva lembra como é bom sentir o cheiro da terra molhada.

A chuva cai lá fora e põe-me a pensar…será tão difícil lembrar que esta casa não é só nossa.

P.S. Deixo um link para Briefing da European Environmental Agency sobre Alterações climáticas fluviais na Europa , algo mais para ajudar a reflectir

Comunidade Portuguesa de Ambientalistas
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