quinta-feira, setembro 29, 2005

Erva da Semana VII: Portugal Paraiso Renovável

Já aqui deixei a minha opinião sobre o que penso da construção de uma central nuclear em Portugal, assim como também expressei o meu incondicional apoio à criação de sistemas de produção de energia descentralizados. Aliás não será difícil de compreender que os sistemas descentralizados, que admito serem de forma geral mais caros, criam mais empregos directos e indirectos, estimulam mais e melhor a economia local e exigem aos profissionais envolvidos um maior esforço a nível da sua qualificação de forma a serem competitivos no mercado de trabalho.

Por estas razões discordo da construção de uma central nuclear, que centraliza num espaço reduzido e num numero de pessoas reduzidas uma enorme produção de energia, tornando-se numa espécie de rolha que impede que outras soluções e tecnologias possam evoluir e se tornem competitivas. Nem preciso de argumentar sobre os potenciais riscos ambientais. Basta-me a convicção que uma estratégia de descentralização da produção de energia eléctrica trás mais benefícios para a economia. Será difícil de perceber?!

O propósito do artigo desta semana passa por expor a variedade e disponibilidade energética presente no país de fontes de energia renováveis. Estas estão presentes por todo o território nacional em abundância, o que permite encontrar as soluções mais vantajosas e tecnicamente mais adequadas para uma determinada localização geográfica.

Portugal é de facto um paraíso renovável.

- Biomassa - Eólica - Geotérmica - Hídrica - Mares e Ondas - Solar

Não é difícil de perceber que todos estes tipos de energia se encontram com alguma abundância ou mesmo em grande abundância em Portugal.

Passo a expor um apanhado do potencial existente para cada uma delas no nosso país.

Biomassa

Segundo a informação que obtive a floresta cobre aproximadamente cerca de 38% do território nacional com uma área aproximada de 3.000 milhares de ha, estimando-se que a produção total de biomassa florestal seja de 6,5 milhões de ton/ano. Destes 6,5 milhões de ton/ano podem estar disponíveis para a produção de energia eléctrica cerca de 2,2 milhões de ton/ano.

Tendo em consideração que até à data existe apenas uma central de produção eléctrica a partir de biomassa, (Central de Mortágua), podemos rapidamente concluir que esta fonte de energia está claramente a ser desaproveitada ou queimada no sito errado, (refiro-me ao fogos que todos os anos devastam o país). A central de Mortágua foi construída para uma capacidade de 80.000 ton/ano de biomassa e tem uma potência instalada de 9 MW, estando a central projectada para entregar à rede cerca de 60 GWh o que permite abastecer cerca de 35 mil habitantes. As contas são simples de fazer. Se é possível abastecer cerca de 35 mil habitantes com 80.000 ton/ano em biomassa, qual a população possível de abastecer com 2,2 milhões de ton/ano? Quantos empregos se criam directamente e indirectamente?

Temos ainda dentro deste tipo de energia o Biocombustivel gasoso, (conhecido como Biogás) e o Biocombustivel líquido, (Biodisel).

No primeiro caso têm sido feitos alguns investimentos, nomeadamente no aproveitamento desta energia pela Agro-Pecuária e pelas ETARs. Já no caso do Biodisel muito há a fazer, principalmente no que se refere na criação de condições para a produção de matéria-prima, (por ex: plantação de girassol), para que seja possível alimentar um central de produção deste tipo de combustível.

Eólica

A energia eólica é aquela que tem merecido maior atenção por parte dos nossos governantes e investidores por ser mais rentável comparativamente a outras tecnologias, o que não quer dizer que para as outras tecnologias não hajam investidores. Acontece é que os governos têm privilegiado a criação de condições para o investimento na eólica e vão deixando outras soluções para uma fase posterior.

No caso da eólica em Portugal estava instalada até 2004 uma potência de 584 MW, estimando-se que o potencial existente se encontre entre os 2000 a 3500 MW. Convém ainda dizer que Portugal registou o maior crescimento a nível mundial deste tipo de energia e que actualmente se encontra em desenvolvimento um ATLAS do vento para que de futuro possa haver uma melhor avaliação dos potenciais locais para instalação de parques eólicos.

Recentemente saiu também a notícia da EDP estar a estudar a possibilidade da criação de um Cluster Offshore. Este tipo de aplicação tem um investimento inicial cerca de 30% superior ao das instalações em terra, no entanto permite uma maior produção de energia, podendo atingir uma produção 40% superior. Para além disso, o impacto visual, criticado por aqueles que preferem ter uma central nuclear, é substancialmente reduzido, nestes casos os aerogeradores podem também ser mais baixos uma vez que a altura das ondas não influencia a força do vento.

Geotérmica

Apesar de não sermos propriamente um país onde este tipo de energia abunde, a energia Geotérmica pode e tem um peso importante, nomeadamente nos Açores. Nos Açores o aproveitamento deste tipo de energia chega aos 235 MWt de potência instalada tendo em 2003 contribuído para 25% da energia produzida na Ilha de S. Miguel.

A energia Geotérmica pode ainda atingir nos próximos 10 anos mais 30 MWe.

Hídrica

Consideramos apenas para o aproveitamento desta fonte de energia as mini-hídricas, uma vez que a grande-hídrica envolve um substancial impacto no meio ambiente, nomeadamente no ecossistema fluvial. No entanto a grande hídrica, deve ser considerada mais vantajosa do que outras fontes de energia uma vez que não emite gases de efeito estufa.

Desde 1994 foram licenciadas 122 empreendimentos dos quais encontram-se em funcionamento 44 representando 170 Mw de potência instalada e uma produção de 550 GWh/ano. Se tivermos em conta antigas concessões o total de aproveitamento mini-hídrico no país situa-se em 98 centrais, correspondendo a 256 MW de potência instalada e na produção de 815 GWh/ano.

Apesar da dificuldade em fazer uma estimativa presume-se que o potencial de explorações mini-hídricas ronde os 1000 MW com uma produção média entre os 1500 e 1800 GWh/ano

Oceanos

Chegamos à energia proveniente do oceano, que não é difícil de imaginar como esta se puderá tornar a médio / longo prazo numa das principais fontes de energia em Portugal. Esperamos apenas que os nossos governantes não deixem ao abandono todo o esforço feito até aqui em Investigação e Desenvolvimento que se tem feito, e onde Portugal se mantém no pelotão da frente no que se refere ao acompanhamento e participação no desenvolvimento de tecnologias e aproveitamento da energia das ondas.

A energia que chega a costa ocidental portuguesa é de cerca de 120 TWh/ano, sendo que as zonas costeiras portuguesas têm das condições mais favoráveis no mundo para a aplicação deste tipo de tecnologia.

Apesar do aproveitamento deste tipo de energia ainda não ter atingido uma fase de comercialização espera-se que este tipo de energia venha a contribuir de forma importante na produção de energia eléctrica num futuro próximo.

Solar

Para a energia Solar, basta saber que Portugal é um dos países com maior disponibilidade de radiação solar em toda a Europa para perceber que esta solução deve ter também um papel importante na produção de energia eléctrica. No entanto aqui deve ser apoiada, (no caso dos fotovoltaicos e energia solar térmica), a instalação por pessoas particulares em vez da criação de grandes centrais.

A energia Solar abrange contudo mais do que os fotovoltaicos e solar térmica ao contrário do que pareceu ter dado a entender António Sá da Costa na entrevista que deu no último numero da revista Águas & Ambiente.

A energia Solar, através da aplicação de conceitos de aquecimento solar passivo nos novos edifícios pode ter também um contributo importante na redução da factura energética, tornando os edifícios energeticamente mais eficientes e consequentemente reduzindo a quantidade de energia dispendida em aquecimento. Existem ainda outras formas de produção de energia eléctrica através da energia solar que não passam obrigatoriamente pelos fotovoltaicos. A energia Solar pode ainda ser usada para coisas tão simples como cozinhar, aplicando tecnologia simples e barata.

Depois desta pequena exposição sobre as diferentes fontes de energias renováveis, e demonstração da sua presença física em Portugal, sabendo que umas têm mais vantagens em relação a outras, assim como estando outras ainda numa fase embrionária referente ao seu aproveitamento, creio não poder haver dúvidas quanto ao potencial que existe em Portugal para o aproveitamento deste tipo de fontes de energia. Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis.

Mas mais importante ainda do que a própria origem da produção energética é o facto de a aposta nas energias renováveis permitir a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc… que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.

Estas são para mim as grandes vantagens em apostar no mercado das energias renováveis em Portugal.

“Criar uma Central Nuclear em Portugal é dificultar abertamente o crescimento do mercado das energias renováveis”

“…as energias renováveis permite a criação de inúmeras empresas, de assistência técnica, de instalação, de produção, de gestão, consultoria, para além da investigação e estudos, etc…que necessitam de técnicos qualificados nas mais diversas áreas, permitindo criar postos de trabalho distribuídos de uma forma relativamente homogénea por todo o país, levando à um aumento do nível de instrução das populações em zonas mais interiores do país, desenvolvendo a economia local.”

Por isso mais uma vez aqui afirmo que sou contra a instalação de uma Central Nuclear no País, e desta vez, sem que me possam acusar de fundamentalismo ambientalista, creio apresentar os argumentos que demonstram o porquê do mercado das energias renováveis ser muito mais vantajoso para a economia do que uma mísera Central Nuclear, com umas míseras centenas de postos de trabalho, criando mais outros míseros postos de trabalho indirectos, e fazendo milhões em lucro.

Fico apenas na esperança que entendam que mais uma vez se trata de criar um novo monopólio ou de criar mais dinamismo e competitividade na economia portuguesa.

A escolha por enquanto ainda é nossa.

8 Comments:

At 10:25 da manhã, Blogger APOBO said...

Caro Pedro.
Achamos este artigo notável e gostaríamos de colocá-lo no nosso "boassas". Será que nos permite transcrevê-lo, com a devida referência, óbviamente, ao autor e ao blogue? Se for possível agradecemos, se não for, compreendemos e agradecemos na mesma.
Apresenta os melhores cumprimentos.
A direcção da Associação Por Boassas.
Manuel da cerveira Pinto

 
At 1:45 da manhã, Blogger Joao Soares said...

Já sabes que contas com o meu apoio,Pedro;)
E já agora Cerveria Pinto e Pedro, era bom aderirem à ideia de colocarmos a Paz na ordem do dia!!!Vêm aí tempos pouco auspiciosos...Só estou a avisar, antes que o mundo caia fundo, mesmo...
Abraços e força positiva. Amor na Paz.
BioTerra

 
At 7:06 da tarde, Blogger Elentári said...

Este post permitiu-me reflectir e aprender acerca de uma série de coisas que me preocupam. de facto, com tantos recursos, porquê a energia nuclear?? Adorei lê-lo, assim como tudo o que tenho visto neste blogue.

 
At 12:41 da tarde, Blogger Luis Rocha said...

A infraestrutura energética dos combustíveis fósseis em Portugal não é essa coisa facilmente descartável que tu pareces pensar.
Não é exagero afirmar que acabar com os combustíveis fósseis é acabar com a economia poruguesa enquanto economia industrializada.

O teu erro crasso é achares que o volume e caracteristicas do consumo energético em Portugal pode simplesmente mudar de 90% à base de combustíveis fósseis para um consumo 90% à base de energias renovaveis.

Acorda! Isso nunca vai acontecer!

Se o país canalisasse todo o seu esforço económico do estado e privado numa espécie de consenso nacional pelas energias renováveis demorariamos décadas a substituir metade da electricidade que consumimos de origem fóssil por renovável e quanto aos transportes por mais esforço em investimento e desenvovimento de alternativas nunca conseguiriamos fazer a economia, como ela existe hoje, funcionar à base de transporte de combustível elétrico, que é o único formato de substituição possível, não existem combustíveis líquidos renováveis.

Paraíso renovável... tu vives no mundo da lua!

Aqui na Terra, para quem tenha o mínimo de realismo sabe que com décadas e rios infindáveis de investimento, estamos a falar de no mínimo muitos biliões de investimento e 2 ou 3 décadas de esforço não conseguiriamos substituir mais de metade do consumo energético actual e o problema dos transportes não seria resolvido.

A substiuição se tu a pretendes é impossível.

A única alternativa para tornar a mudança para energias renováveis viável é apostar todos os esforços na eficiência e conservação energéticas.

O actual consumo enegético não é suportável numa época em que a escalada do preço dos combustíveis fósseis (sobretudo petróleo e gás natural) está a começar a levar a europa à recessão.

A conservação e eficiência energéticas mais ainda do que as energias renováveis é que deviam ser as maiores bandeiras ecologistas.

Cumprimentos
Luis Rocha

 
At 5:38 da tarde, Blogger Solariso said...

Meus caros leitores,

O último comentário deixado neste Blog, feito ao artigo Erva da Semana VII: Portugal Paraiso Renovável, ganhou por mérito próprio o direito de aparecer como Post.

É de facto tão incrivel, que não resisto em o publicar na integra.

Mas antes não me contenho a fazer uma pequena reflexão que também convido todos os leitores a fazer.

Luis Rocha diz que acabar com os combustiveis fosseis é acabar com a nossa economia, no entanto parece-me que é exactamente pela excessiva dependência deste combustiveis que a nossa economia também sente dificuldades.

Óbviamente, como em todas as coisas este não é um factor único.

Outras questões levantam-se depois de ler o comentário:

Qual a alternativa ao petróleo, uma vez que é sabido que este acabará?

Quanto tempo esperar para iniciar o processo de susbtituição da nossa principal fonte energética?

Quanto ao realismo do comentário de Luis Rocha; bom... dou-me ao direito de também ter as minhas dúvidas.

Afinal grandes grupos empresariais como a BP a Shell, a Galp, EDP, entre muitos outros por todo o mundo estão a investir e muito em energias alternativas. Porque será???

Diz ainda o comentário:

"A única alternativa para tornar a mudança para energias renováveis viável é apostar todos os esforços na eficiência e conservação energéticas." e ainda:

"A conservação e eficiência energéticas mais ainda do que as energias renováveis é que deviam ser as maiores bandeiras ecologistas."

Parece-me um caso tipico de falta de atenção ao que é defendido por todos os que apoiam as energias alternativas e que encaram o problema da sustentabilidade como um problema basicamente de energia. Todos defendem o aumento da eficiência energética e todos lutam por ela.

Curiosamente noto uma enorme contradição quando a pessoa que deixa o comentário diz:

O actual consumo enegético não é suportável numa época em que a escalada do preço dos combustíveis fósseis(sobretudo petróleo e gás natural) está a começar a levar a europa à recessão."

Será talvez esta uma razão cada vez mais forte para investir nas energias alternativas e renováveis??

Convido todos a ler o comentário e talvez percebam.

Eu sinceramente não percebi.

 
At 5:41 da tarde, Blogger Solariso said...

xipsocial disse...

Este comentário só me leva a reflectir acerca de: Como há pessoas tão cegas?
Visitando os blogs do autor do comentário, constato que o indíviduo se debruça sobre o pico de Hubbert, está a par da situação económica e industrial acerca dos combustíveis fósseis, mas nada conclui acerca do que escreve.
Não sei qual é a idéia!
No comentário revela muita falta de conhecimento acerca do panorama energético alternativo, mostrando-se céptico a realidades inquestionáveis. Ele afirma que «não existem combustíveis líquidos renováveis», então o que é o biodiesel?
Certamente, apesar de reconhecer que a exploração das reservas fósseis atingiu o seu pico, acredita ainda que o petróleo nunca acabará. Diz ser impossível a sustentabilidade energética do planeta através de fontes renováveis. Esta idéia é precisamente recíproca da verdade física da questão 'sustentabilidade'.
Aponta e bem a importância da rentabilidade e optimização energética, mas quando fala de conservação energética não entendo o que pretende dizer!
Enfim, nada produtivo este comentário, dos blogs do autor o mesmo se pode dizer salvo em termos de informação já mais que conhecida na corrente capitalista.
Portanto serviu este post para chamar a atenção dos leitores, apenas, para o tipo de posição que não se deve tomar, ou as coisas que não se devem dizer de modo a que não nos mandem tirar as palas dos olhos.

 
At 5:52 da tarde, Anonymous Marcos Carvalho said...

Eu só tenho uma pergunta para quem diz que é possível tornar uma economia mais saudável com energia mais cara.

Já leu algum livro de economia?

Leia, vai perceber que a descentralização é uma coisa boa, mas não é o "santo graal". Vai perceber também que uma economia de 1º mundo resente-se do aumento das tarifas da energia em dois planos:
- No aumento dos custos das empresas, acabando por despedir os tais trabalhadores que queria descentralizar. Acabando também por produzir menos com custos mais altos e tornando a economia MENOS competitiva.
- O cidadão comum ao gastar em mais em energia gasta menos noutras coisas, portanto o consumo geral desce penalizando ainda mais a eocnomia nacional.

Eu não tenho nada contra energias renováveis, tenho é contra ideias descabidas. O petróleo acaba em 2050, até lá uma central nuclear ajudava no arranque das energias renováveis, podendo desactivar com calma a maioria das centrais poluidoras. Depois de 2050 com o avanço da tecnologia já deve haver renováveis a preços decentes.

Fazer um mundo melhor não é dum dia para o outro, já tentaram fazer isso e não resultou.
Um abraço.

 
At 11:21 da manhã, Blogger Solariso said...

Afinal este Blog ainda mexe. O que é muito bom, mesmo depois de já o ter deixado.

Mas como ainda vou passando os olhos por aqui a ver se há comentários, aproveito para responder ao colega Marcos Carvalho.

É tudo uma questão de perspectiva e ideologia.
Existem aqueles que acreditam que o sistema económico em que vivemos tem que ser como é, ou seja, a economia é valorizada pela produção. Quanto mais produzirmos melhor.
Existem outros que não acreditam nessa filosofia. Que acham que devemos produzir mediante as necessidades, não produzir o lixo que se vê em milhares de anúnicios, etc...

Existe a conhecida Economia do Cowboy e a Economia do Homem do Espaço.

Se quiser saber mais procure pelo livro Who Owns de Sun, e encontrará referências sobre o que falo. Aliás um livro que aborda o lado da economia em relação à energia.

Um bem haja

 

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