quinta-feira, setembro 15, 2005

Erva da Semana VI: Ruido Mental

Caros leitores,

Quero desde já agradecer os mails recebidos em demonstração de preocupação pelo estado inerte do Blog Solariso. É sempre agradável verificar que existem pessoas que seguem o Blog na expectativa de que algo novo apareça.

Como demonstração do meu apreço por todos que continuaram a visitar o Blog ou tiveram a gentileza de me escrever, a perguntar o que se passava e se estava tudo bem, esta Erva da Semana será diferente das anteriores, não tendo como principal objectivo os temas ambientais, mas sim o desabafo de um estado de espírito que por vezes nos impede de sermos mais produtivos.

Para quem leu o "Livro Tibetano da Vida e da Morte - de Sogyal Rinpoche", certamente se recordará quando o livro diz que a mente é como um copo de água cheio de areia. Se o agitarmos a água ficará turva pelas partículas de areia, mas se deixarmos de a agitar, a areia poderá assentar e a água ficará límpida. A água é as nossa mente e a areia aquilo que a ocupa e prende. Uma das formas de atingir um estado espiritual de maior clarividência e mais iluminado passa precisamente pela nossa capacidade de deixar de agitar a água. Todos nos sentimos por vezes esse rodopiar de pensamentos, preocupações e ruído que se instala nas nossas mentes.

Pelo rodopiar de pensamentos, preocupações e ruído tem sido impossível ter a clarividência para escrever a habitual Erva da Semana.

Viver de uma forma consciente e atenta ao Mundo que nos rodeia trás por vezes algum azedo à boca.

Para exemplificar um pouco e para que este artigo não fuja completamente aos propósitos deste Blog, apoiar-me-ei na realidade existente em Portugal sobre as pessoas a trabalhar dentro da área Ambiental. Para muitos senhores e engenheiros camuflados em capas verdes, o Meio Ambiente não é mais do que um negócio, dessa forma os objectivos passam unicamente por fazer dinheiro. Lido com situações reais todos os dias, observo e ouço conversas e tenho dificuldade em manter a boca fechada perante enormes disparates que vou ouvindo. Observo Engenheiros Civis e Mecânicos que, por falta de formação, não têm sensibilidade para a área ambiental e outros ainda que sem qualquer tipo de formação na área trocam opiniões,"galhardetes" e influenciam as decisões técnicas tendo como objectivo unicamente o negócio. O negócio é com certeza positivo para a economia, mas por outro lado a falta de aptidão para a área ambiental, que requer uma sensibilidade particular por parte daqueles que nesta área trabalham, é desastrosa.

Na maioria dos projectos gasta-se demasiado dinheiro, sendo que o cliente final na maioria das vezes não controla totalmente o processo de aquisição dos produtos ou serviços. Os empreiteiros são Reis e Senhores do negócio, seguindo-se os vendedores de tecnologia que influenciam as decisões técnicas sem terem muita das vezes qualquer experiência reconhecida na área e que ganham aos 20 e 30% de comissão em negócios de milhares de euros. Não faz sentido, que as empresas que vivem à custa deste negócio sejam verdadeiros charcos de incompetência.

Peço perdão ao generalizar, pois existem empresas onde se nota a diferença, são poucas mas existem e são essas aquelas que têm nos seus quadros pessoas qualificadas na área e não adaptadas, importadas ou convidadas. É que para a maioria, o negócio do ambiente não passa de um festim de hienas que sem fazer nada de mal vão-se enchendo de dinheiro.

Eu decididamente recuso-me a participar num negócio onde a incompetência e os lucros imperam. Infelizmente e por enquanto terei de viver com este mau estar, e tem sido um pouco isto que me vai roendo e enchendo a mente de ruído.

Não será por muito mais tempo…

Para todos que por aqui passam,

Muito Obrigado

2 Comments:

At 5:47 da tarde, Blogger Teresa Leite said...

Foi com agrado que vi o retorno.
Por vezes é preciso deixar assentar a poeira para podermos ver claramente o caminho. Reconheço que actualmente é difícil. A "roda da vida" cujos sectores deviam estar em perfeita harmonia para que ela girasse sem problemas, já não é uma roda, de tão distorcidos que estão os seus sectores. Embora "o pensar o ambiente" seja uma filosofia de vida, um esperar por um amanhã possível, é sempre bom pensarmos que o passado já passou e nada há a fazer e que o futuro ainda não chegou, não existe, resta-nos o momento presente. Então vamos aproveitá-lo ao máximo.Vamos contribuir com o que pudermos e soubermos.

 
At 10:44 da manhã, Blogger sue said...

Willian George Ward ficou célebre por esta citação: o pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.
Aplica-se perfeitamente... é só uma questão de ajuste.
Fica bem! Beijos.

 

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