quinta-feira, julho 21, 2005

Erva da Semana V: O Ministério das Pocinhas de Água

Como já ouvi dizer em tempos o Ministério do Ambiente é o ministério das pocinhas de água. A pessoa que proferiu estas palavras teve a intenção de manifestar que o ministério do ambiente é ouvido por todos, é falado por todos, mas ninguém leva nada muito a sério. Está lá porque assim convém, como se existisse, mais por necessidade do que por vontade.

O Governos assumiu funções à mais de 100 dias, numa altura em que já se começava a recear a seca que se avizinhava. Desde essa altura a seca agravou-se e os incêndios multiplicaram-se. Vi o Sr. Ministro Jaime Silva no telejornal a visitar agricultores, a ir a Bruxelas, a dar entrevistas, enfim…vi o Sr. Ministro a enfrentar problemas, à procura de soluções. Poderia compreender esta exclusividade do Sr. Ministro Jaime Silva se o problema da seca fosse apenas um problema dos agricultores e de igual modo o dos incêndios, mas não é.

A Seca e os incêndios são um problema de todos os portugueses, tanto para a nossa economia, como para a nossa qualidade de vida, podendo mesmo ter consequências a nível da saúde pública.

Com os níveis das barragens no mínimo e devido às altas temperaturas têm morrido toneladas de peixe. Esta mortandade pode ter várias explicações, sendo que a mais plausível será a baixa disponibilidade de oxigénio na água.

O consumo de água não baixa, pelo contrário as pessoas gastam mais águas. Os carros brilham nas estradas portuguesas para minha agonia. Os jardins das cidades e vilas continuam a ser alegremente regados, enchem-se piscinas e vive-se como se nada fosse connosco.

O Ministério do Ambiente assiste a isto numa serenidade irritante e atrasa o seu aparecimento estupidamente. Gostaria de saber o que faz afinal o Sr. Ministro que não se digna a falar aos portugueses, a lhes dizer que medidas estão a ser tomadas, o que estão a fazer no ministério. Desconfio que se dorme a cesta à moda de Mário Soares.

Se há ministério que tenha apresentada uma baixa produtividade relativa à urgência dos actuais problemas de seca e fogos florestais, então esse ministério terá obrigatoriamente de ser o ministério do ambiente.

Mas existem outros problemas também eles de grande urgência para os quais o ministério mais uma vez apresenta uma preocupante inércia. Temos como casos graves a situação do ICN e da SIMTEJO, sendo que aqui os problemas são de ordem financeira. Por outro lado temos os problemas dos resíduos e aqui o problema é técnico.

Mas poderíamos continuar, com suiniculturas, os elevados níveis de ozono, as antigas minas, etc…

Muita urgência e pouca actividade, esta é a minha conclusão sobre os primeiros meses do ministério do ambiente. A única medida que considero positiva foi a do plano de investimento na energia eólica, no entanto terá que ficar bem claro que considero esse plano insuficiente, ou tímido, se não houver um plano nacional de aproveitamento da energia solar por painéis fotovoltaicos à semelhança do plano alemão. Sobre este assunto já deixei claro no meu Artigo; "Erva da Semana II: A Quem Pertence o Sol", qual a minha convicção. Não posso obviamente esquecer o aproveitamento energético através da valorização de matéria orgânica, biomassa, energia das ondas, biodisel entre outras, para que realmente nos possamos tornar mais independentes do petróleo e carvão. Mas também como tem sido defendido no Blog Estragos da Nação, há também a necessidade de apostar na melhoria da eficiência e redução do consumo de energia. Isto implica adesão a transportes públicos e melhoramento dos seus serviços, adesão a equipamentos eléctricos que consumam menos energia, sensibilização e educação, melhor qualidade na construção, etc…

Segundo o site do Ministério do Ambiente as iniciativas do Ministério até este momento foram as seguintes:

30 de Maio 2005 Relatório Quinzenal da Comissão para a Seca

4 de Junho 2005 Comemoração do dia Mundial do Ambiente

Estas são as informações do site do ministério do ambiente quanto à iniciativas até agora levadas a cabo. Sinceramente parece pouco, parece mesmo que não é nada. Mas para não ser muito cruel devemos mencionar ainda a iniciativa do Sr. Ministro de anunciar que vai apresentar no final do ano um plano para o ambiente e saúde.

Dada a forma como este Governo iniciou as suas funções, tomando algumas medidas simbólicas e de alguma eficácia, esperava eu muito mais do ministério do ambiente. Principalmente na toma de medidas para o controlo do consumo de água. Para o controlo do consumo de água, julgo eu que já há semanas que faria sentido a racionalização, isto é disponibilizar água apenas em algumas horas do dia, nas zonas mais afectadas.

A nível nacional, desde o início que se justificam medidas de contenção no consumo de água na manutenção de espaços verdes, a proibição de lavar carros e de encher piscinas privadas seriam medidas a tomar. Justifica-se ainda há muito tempo uma forte campanha de sensibilização em horário nobre e em todos os canais da televisão pública, e não como o programa Ponto Verde que dá só no Canal 2 que quase ninguém vê.

Escrevo e não me apetecia parar, por são tantas as coisas que me vão surgindo. Mas estou triste e preocupado, porque passo na rua, olho os outros e denoto egoísmo e falta de responsabilidade civil e um ministro do ambiente fechado no seu gabinete sem falar com os portugueses.

Comunidade Portuguesa de Ambientalistas
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