terça-feira, junho 28, 2005

Erva da Semana II: A Quem Pertence o Sol?

Estimados visitantes e seguidores do Solariso,

Inspiro-me para este artigo na recordação de um dos livros mais interessantes que tive a oportunidade de ler sobre a luta pela implementação da energia solar e duma economia solar. (“Who Own’s the Sun?, 1997, Daniel M.Berman & John T. O’Connor)

As diferenças entre o actual sistema económico e uma economia solar são profundas. Kenneth Boulding no seu livro, “The Economics of Spaceship Earth”, denomina o actual sistema económico como a “Economia do Cowboy”, onde o consumo e a produção são considerados factores benéficos para a economia, contrastando com o conceito de economia solar, em que os factores de sucesso não são a produção e consumo, mas sim a capacidade de produzir de acordo com a necessidade e da inovação tecnológica que garanta a manutenção do stock total necessário, com menos produção e menos consumo. Desta forma uma economia solar facilita a implementação do desenvolvimento sustentável uma vez que não existe a necessidade de produzir em quantidade para ser competitivo.

Imaginem que comunidades inteiras, empresas e indivíduos, poderiam a custo de alguns milhares de euros, (não mais que o custo de um carro de classe média), produzir a sua própria electricidade a partir dos seus telhados, sem as gigantescas centrais eléctricas nem os milhares de Km em cabos de alta tensão. Compreendo que os barões do sector da electricidade possam sentir o pior dos arrepios com a ideia de uma sociedade “off-grid”, (fora da rede).

DESCENTRALIZAR

Ref: Who Own’s the Sun? – Introduction xxvii

“ Nos dias de hoje os argumentos a favor da tecnologia solar descentralizada são mais valiosos do que nunca.”

Curiosamente a ideia, “Descentralizar”, à semelhança do meu artigo de 20.06.2005, volta a apresentar fortes argumentos a favor da produção de electricidade descentralizada. Vejamos:

O actual sistema de produção e distribuição de electricidade peca pela sua baixa eficiência, embora nunca se deixe transparecer essa imagem. Uma vez mais deparamo-nos com uma situação onde a grande parte do investimento necessário se centra na criação de uma rede, onde as perdas de electricidade são inimagináveis para um cidadão comum, rede que acarreta enormes custos de manutenção. Facilmente percebemos que não pagamos a electricidade que consumimos, mas sim aquela que consumimos mais o que a empresa fornecedora de electricidade perdeu no seu transporte. Há que ter ainda em conta a energia dispendida na extracção, transporte e processamento da matéria prima. Como estas perdas são divididas pelos clientes, ninguém contesta, ninguém diz nada, ninguém se lembra, afinal são só mais uns euros por mês a cada um. Isto obviamente significa que necessitamos de produzir mais electricidade do que a necessidade energética real para cobrir as perdas no transporte. É como se encomenda-se um camião cheio de maçãs que no caminho perde metade da carga, mas onde se continua a pagar a carga toda!!!!. É um exemplo gritante de insustentabilidade e pobre eficiência. Já nem quero entrar no campo dos impactos ambientais inerentes à uma rede de distribuição eléctrica, especialmente dos cabos de alta tensão que tão frequentemente cruzam os céus, mesmo por cima das nossas casas.

Porque razão havemos de insistir em recursos energéticos de disponibilidade limitada e em lugares distantes dos locais onde a energia é mais necessária? Porque não apostamos de vez no maior recurso energético do Planeta que simpaticamente ilumina os dias das nossas vidas?

Em contraste com o actual sistema, a descentralização da produção de energia, através de painéis solares permite a aplicação de tecnologias mais avançadas a um custo razoável, desenvolve e dinamiza a actividade empresarial na instalação e manutenção dos sistemas e exige mão-de-obra qualificada.

QUAIS AS RAZÔES DO INSUCESSO?

Algumas das razões para os sucessivos insucessos na implementação de uma economia solar tornam-se claras se conhecermos um pouco da história recente do sector energético. Na década de 70 o preço do petróleo subia em flecha, consequência do embargo petrolífero de 1973 que provocou a conhecida “Crise do Petróleo”. Esta crise abriu uma oportunidade única para a divulgação de sistemas alternativos de produção de energia, incluindo as tecnologias solares. Aliás, grande parte dos progressos tecnológicos nesta área, têm origem nessa época. Perante um cenário em que o preço do petróleo subia continuamente a grande máquina de loobing das grandes empresas petrolíferas iniciou a sua marcha. Uma das formas encontradas para travar o sucesso que energias alternativas obtinham foi a compra de patentes e das melhores empresas do sector, mas o grande golpe estaria ainda para vir. Em 1976 o “Electrical Power Research Institute” (EPRI), fundado em 1972 pelo sector da electricidade, assinou um Memorandum de Entendimento com a “Energy Research and Development Administration” (ERDA) que a EPRI considerou como sendo um marco na sua história. Este memorandum permitiu ao EPRI ganhar uma perspectiva e direito de veto táctico sobre qualquer contracto para Investigação e Desenvolvimento estabelecido pela ERDA. Escusado será dizer que os apoios a projectos de investigação de energias alternativas, não pertencentes aos grandes grupos petrolíferos, dificilmente conseguiam aprovação para o financiamento dos seus projectos. A EPRI detinha o controle total sobre a política de atribuição de fundos de incentivo à investigação e desenvolvimento de tecnologias no sector energético. Enquanto propostas de 25 mil dólares para energias alternativa eram recusadas a EPRI em Julho de 1976 recebia 84 milhões de dólares para projectos de investigação. A história continua com o embargo a deixar de existir e os preços do petróleo a voltarem a valores abaixo dos 30 dólares por barril onde se mantiveram até à poucos anos, tendo-se perdido uma excelente oportunidade de fazer uma inversão dos recursos energético gradual e equilibrada. Hoje o embargo não existe, mas existe “A Crise do Petróleo”, a verdadeira crise está ai. O excepcional desenvolvimento de países como a China e a Índia, os dois países mais populosos do Planeta fez aumentar na procura de petróleo, tendo isso se reflectido nos preços. Temos ainda a instabilidade no Médio Oriente e noutros dos principais países produtores de petróleo, no entanto a mais importante razão é o facto de estarmos perante um recurso finito, pressentindo-se cada vez mais o seu fim. Estas são sem dúvida alguma as principais razões para a actual crise do petróleo. O preço do Barril do petróleo atinge quase os 60 dólares, quando há cerca de 4 anos estava abaixo dos 30 dólares. Convém reflectir sobre as implicações destes aumentos, que assim até parecem insignificantes. Ainda este ano ouvi que, e corrijam-me se estiver errado, cada português em média consome 1 barril de petróleo por mês. Agora é fazer as contas, passar de 30 dólares/mês para 60 dólares/mês, num universo de 10 milhões de pessoas…enfim surge o fim desta praga de petróleo.

PORTUGAL UM PAIS SOLARENGO PLANTADO À BEIRA MAR

A base estrutural de fontes energéticas em Portugal, são as importações de Carvão e o Petróleo. Somos neste momento um dos países mais dependentes de importações de petróleo na Europa, originando dai dificuldades acrescidas para a economia portuguesa. O investimento em recursos próprios tem-se limitado na sua maioria às Centrais Hidroeléctricas, contudo somos conhecidos como um pais onde o Sol abunda, onde as ondas e o vento encantam surfistas e windsurfers e possuímos uma área florestal considerável que necessita de ser gerida e vista como um recurso energético. Resumindo, somos um paraíso em recursos energéticos renováveis, felizmente não temos petróleo e infelizmente somos, ironicamente, demasiado dependentes dele. Talvez exista por cá, quem faça demasiada questão que assim seja!!!

Li que os objectivos governamentais em Portugal incluem os seguintes pontos:

· Redução da dependência energética e desenvolvimento de recursos endógenos · Reduzir a dependência do carvão e petróleo e diversificar as fontes e origens de energia · Redução dos impactes ambientais · Redução da factura energética · Aumento da eficiência

Dizem os nossos governantes que pretendem atingir essas metas através da aposta em:

· Energias renováveis · Eficiência e uso racional de energia · Projecto de gás natural · Reestruturação e liberalização do sector eléctrico e petrolífero

Os nossos governantes dizem mas na prática só muito lentamente é que as coisas vão mudando. A aposta nas energias renováveis limita-se em grande parte à energia eólica, seguida pelas mini-hídricas e Biomassa, sendo que nestes casos é requerida uma enorme capacidade financeira. O gás natural tem avançado e quanto à liberalização do sector energético como noutros casos, continuamos à espera para ver o que irá acontecer. Estranho no entanto, ao ter conhecimento dos objectivos e formas definidas de os atingir, que não exista em Portugal nenhum programa especifico para as energias renováveis, especialmente para os painéis fotovoltaicos. As iniciativas mais relevantes para as energias renováveis foram o programa ENERGIA, entre 1994-1999, apoiado por fundos comunitários e a introdução do Decreto de Lei 189/88 de 27 de Maio, que regula a produção de energia eléctrica por pequenos produtores até uma potência máxima de 10 MW. Esta legislação tem contudo beneficiado, praticamente apenas projectos para mini-hídricas e para parques eólicos.

Ainda antes de concluir este meu artigo queria fazer referência à fórmula de cálculo do tarifário aplicável à energia eléctrica obtida a partir de recursos renováveis, (introduzida pelo Decreto de Lei nº339-C/2001 de 29 de Dezembro e Rectificado pela Declaração de Rectificação nº 29/2005, de 15 de Abril), sabendo que as tarifas aplicadas são fundamentais para a motivação e crescimento da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis. Para o cálculo do tarifário aplicável é estabelecido um limite de potência instalada a nível nacional de 150 MW no caso das centrais fotovoltaicas e Biomassa, sendo este tarifário válido por um período máximo de 15 anos. Após este período essas centrais serão remuneradas ao preço de mercado e pelas receitas de vendas de certificados verdes. Este limite de 150 MW a nível nacional e de 15 anos deixa-me bastante apreensivo, assim como a indefinição sobre os possíveis preços de mercado e incertezas sobre o valor dos certificados verdes.

O que acontecerá aqueles que queiram investir num central foltovoltaica depois de terem sido atingidos os 150 MW nacionais? Será que as tarifas obtidas depois dos 15 anos continuaram a ser atractivas e valorizarão devidamente o facto da produção de energia eléctrica ser de fonte renovável?

Devemos aderir sem medos às energias renováveis, nomeadamente a energia solar fotovoltaica, incentivando que as pessoas possam produzir parte da energia que consomem. A adesão definitiva à energia solar pode também atrair o investimento estrangeiro na criação de unidades de produção deste tipo de tecnologia em Portugal, criando emprego e abrindo espaço à investigação e desenvolvimento deste tipo de tecnologias. Portugal tem ainda, pelas suas características geográficas a possibilidade de se tornar numa excelente Plataforma para a exportação deste tipo de tecnologia, visto que os países com melhores condições para a aplicação de tecnologia solar estão na zona equatorial e norte de África.

Obviamente a energia solar não é uma solução para todos os problemas, mas pode e deve ser umas das soluções para atingir as metas já definidas e que tardam a ser compridas por uma óbvia falta de vontade politica. Refiro-me ao tratado de Quioto, à diminuição da dependência energética do pais, à liberalização do sector energético, etc.

A adopção da energia solar como uma das estratégias de desenvolvimento do pais a médio e longo prazo, isso sim seria um VERDADEIRO CHOQUE TECNOLÓGICO.

O Sr. Ministro Dr. Francisco Nunes Correia a quem foram dirigidos alguns dos maiores elogios, na altura em que foi anunciado que assumiria a pasta do Ambiente, tem uma oportunidade única de alterar as politicas energéticas do pais de uma vez por todas, dando um contributo essencial para que o pais se liberte das amarras do petróleo que mais não farão do que travar o desenvolvimento económico do pais.

terça-feira, junho 21, 2005

Celebrar o Sol

Um homem salta do cimo de uma das rochas que formam o monumento megalítico Stonehenge, perto de Salisbury, em Inglaterra. Antes do dia nascer, uma multidão juntou-se em redor do monumento para celebrar o Solstício de Verão no Hemisfério Norte. O antigo círculo de pedra de Stonehenge foi erguido aproximadamente entre 3000 a.C. e 1600 a.C. e, apesar de anos de pesquisa, a razão pela qual foi construído continua a ser um mistério.

Retirado do Publico online Foto: Publico Online

Não posso deixar este dia passar sem registo. Hoje celebra-se o SOL.

Hoje devemos Solarisar.

Lembrem-se que o Sol é o recurso energético mais valioso do Planeta, (as plantas não passam sem ele no processo de fotosintese).

segunda-feira, junho 20, 2005

Erva da Semana I: Gestão de Águas Resíduais Descentralizada

Caros visitantes e simpatizantes deste Blog,

Hoje inicia-se a edição do meu artigo semanal, com o qual pretendo ir opinando sobre os vários temas Ambientais.

Esta semana e para começar, decidi trazer até a este Blog um tema que considero ser um dos mais interessantes e talvez um dos desafios mais difíceis na história da Gestão Ambiental, que será a inversão de sistemas de águas residuais centralizadas para sistemas de águas residuais descentralizadas. Convém recordar que os actuais sistemas de águas residuais são centralizados, fruto de um desenvolvimento histórico com mais de 100 anos. Inicialmente, dada a aglomeração cada vez maior de pessoas nas cidades, rapidamente se concluiu que havia uma relação entre as doenças e as condições sanitárias existentes o que levou à construção de colectores de águas residuais que posteriormente as conduziam para fora dos centros urbanos e eram despejadas em meio aquífero. Com o desenvolvimento da consciência ambiental durante o Sec. XX e constatando-se o impacto ambiental destas descargas foram construídas ETAR’s no fim da linha de esgoto. Esta solução não é a solução ideal quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista económico.

Ref.: Cotação do World Bank, publicação; “Sanitation and Diesease” “Aqueles que o trabalho é desenhar e seleccionar um sistema apropriado para a colecção e tratamento de esgotos, devem manter em mente que as praticas comuns, da América do Norte e Europa, não representam o expoente máximo do alcance científico, …, estas práticas, não são necessariamente o que faríamos se tivéssemos a oportunidade de começar tudo de novo.”

Desde há muitos anos todos nós, conhecemos o sistema de separação de resíduos: separação do papel, vidro, plástico, etc… Separamos esses resíduos com a consciência de que a reciclagem faz sentido. Por outro lado reparamos que as águas residuais são despejadas como uma “mistura” que é descarregada pelo sistema de esgoto conjuntamente com uma quantidade enorme de água potável, sendo que neste sistema os nutrientes e fertilizantes ficam por usar.

Sistema de Tratamento Centralizado - Sistema de Tratamento Descentralizado

De uma forma ideal o sistema descentralizado deverá providenciar uma separação individual e o tratamento dos diferentes tipos de águas residuais, permitindo uma óptima reutilização – exactamente como os sistemas que conhecemos para o tratamento de resíduos sólidos. Ao reduzir a quantidade de águas residuais a serem tratadas os processos tecnológicos mais avançados poderão ser aplicados a um custo razoável, permitindo a obtenção de um concentrado valioso de fertilizante e água para irrigação e reutilização como água de serviço. Com este método assegura-se o uso ecológico dos recursos de água e óptima utilização dos seus recursos. O tratamento descentralizado ideal pode ser definido como: “O tratamento de águas residuais orientado para a separação dos caudais por substâncias.” Outra das grandes vantagens na gestão de sistemas de águas residuais descentralizadas é a redução de custos do tratamento retendo as águas e sólidos mais perto da sua origem através da reutilização. Aliás é minha obrigação deixar aqui registada a minha dificuldade em compreender o actual sistema de gestão de águas residuais, onde a grande parte do investimento incide na construção e manutenção de redes de esgotos que se limitam a transportar água contaminada de um ponto A para um ponto B, para não falar dos potenciais riscos de contaminação de solos e águas subterrâneas. Passo a dar um exemplo: Segundo a Acta de reunião n.º 42/2002, realizada a 10 de Dezembro de 2002 da Câmara Municipal de Cantanhede a ampliação da rede de saneamento da tocha – 2ª fase, prevê a drenagem gravítica das águas residuais ao longo de 21 Km, servindo uma população de 1546 habitantes e 386 construções a servir. Os prováveis custos de trabalhos foram estimados na ordem de 1 milhão de euros + IVA. Isto significa 47.620 € / Km; 647 € / habitante e 2.590 € / construção a servir. (Derrapagens de orçamento não foram calculadas) (www.cm-cantanhede.pt/dataimages/Acta%2042_02.doc) No momento actual existem soluções tecnológicas de tratamento de águas residuais por tecnologia de membranas de ultrafiltração mais eficientes e economicamente competitivos quando comparados com os custos de investimento de uma rede de saneamento. Através da reutilização da água como água de serviço o consumo de água potável poderá ser reduzido de 200 l para 100 l, (pessoa/dia), com simples modificações das instalações em casa, resultando numa eventual economia anual em água por 1000 habitantes de 36.500 m3 e de 31.025 € em água a uma tarifa de 0,85 cêntimos Isto não é um sonho, isto é possível e a resposta está no:

“Tratamento de águas residuais orientado para a separação dos caudais por substâncias.”

As águas residuais podem ser separadas em 3 tipos de águas:

Esquema de Tratamento dos 3 cursos de águas residuais

- Águas amarelas – Urina

- Águas castanhas – Fecais

- Águas cinzentas – Lavagens

Separando as águas residuais na sua origem podem ser aplicados processos de tratamento específicos atingindo eficiências superiores. É também possível através desta separação um melhor aproveitamento de nutrientes e a redução do volume de água potável necessário diariamente.

Tratamento de águas cinzentas

O primeiro grande objectivo do tratamento deste tipo de águas é a sua reutilização. O grande volume de águas residuais produzidas em casa são águas cinzentas provenientes das lavagens, (máquina de lavar roupa, loiça e banho), tendo um teor relativamente baixo de carbono orgânico e nutrientes não tornando necessária a recuperação destas matérias das águas cinzentas. Estas características permitem utilizar o processo de tratamento por membranas de ultrafiltração com o qual se consegue obter água usada sem germes que pode ser reutilizadas em lavagens, limpezas e regas de jardim.

Tratamento de águas amarelas

Estas águas, apesar do seu volume reduzido, cerca de 1,5 l/dia por pessoa, contêm quase todas as substâncias nutritivas e fertilizantes, como o fósforo, o azoto e o potássio. Estes 1,5 l, uma vez diluídos tornam impossível qualquer recuperação dos nutrientes presentes, por motivos económicos e técnicos. No entanto com o aparecimento de sanitas “no-mix” (www.roevac.de/html/english/supply-sub5.htm), a recuperação de nutrientes pode ser feita de forma económica.

Tratamento de águas castanhas

Neste caso como as sanitas “no-mix” são lavadas de forma convencional, as fezes misturam-se com grandes quantidades de água de lavagem. Para que as matérias fecais possam aceder ao tratamento anaeróbio, estas devem ser concentradas através da separação da matéria sólida da fase líquida. A fase sólida depois de ser estabilizada poderá ser utilizada como húmus e a fase líquida poderá ser utilizada para irrigação depois de ter sido sujeita a um tratamento biológico, (possível com tecnologia de membranas).

Numa altura em que se discute o problema da escassez de água, que aliás é considerado o maior problema do planeta pelas Nações Unidas, o actual conceito de tratamento de águas residuais deverá ser questionado pois não possibilita uma redução eficaz do consumo de água nem um aproveitamento de nutrientes. Uma vez ser este um tema complexo e digno de uma exposição mais aprofundada, este tema voltará em edições futuras. No entanto caso alguém esteja interessado em algum esclarecimento ou pretenda saber algo mais sobre o assunto estarei disponível para qualquer esclarecimento ou apoio necessário. Para concluir recordo apenas um excerto deste artigo:

“…as praticas comuns, da América do Norte e Europa, não representam o expoente máximo do alcance científico, …, estas práticas, não são necessariamente o que faríamos se tivéssemos a oportunidade de começar tudo de novo.”

quarta-feira, junho 15, 2005

Um Novo Início

Caros Visitantes, Durante algum tempo deixei este Blog ao abandono, aliás o carácter do Blog era outro, bem diferente daquele que agora se inicia. Acabei por apagar quase todo o conteúdo que anteriormente tinha publicado neste sitio. Deixo apenas um pequeno artigo de opinião sobre o já distante debate sobre a situação ambiental do país por se enquadrar na temática deste Blog. Sinto que é meu dever como profissional da Área do Meio Ambiente contribuir para o esclarecimento, a divulgação e consciencialização para a problema do Meio Ambiente e sem ter de momento grandes meios para avançar com outros projectos de maior relevo inicio esta actividade à qual espero dispor de tempo e criatividade para manter uma discussão viva sobre as diferentes questões ambientais. Como descrevo no cabeçalho deste sítio que agora considero oficialmente aberto, “O Meio Ambiente deve ser mais do que apenas a preocupação, a conservação e a protecção. O Meio Ambiente deve ser a base filosófica para a Evolução da Humanidade e continuidade da Vida no Planeta Terra” Esta é na minha óptica a grande mudança/reflexão que deveria ser feita sobre as questões ambientais. É minha forte convicção que a toda e qualquer decisão de ordem económica ou política deve ter como sua base ideológica essencial a defesa e conservação do Meio Ambiente, como se tratasse de uma verdadeira condicionante para quaisquer decisões. Só assim poderemos atingir o tão falado, mas pouco visto, desenvolvimento sustentável. A prática comum é a de fazer ou explorar o que economicamente é mais rentável tentando minimizar os impactos ambientais, (os liberais aplaudem de pé este raciocínio lógico), mas é minha opinião pessoal que os impactos ambientais deveriam condicionar as orientações económico politicas em qualquer intenção de fazer ou explorar. O caso dos recursos energéticos é sem dúvida um excelente e fácil exemplo, onde a exploração de petróleo tem sido levada a cabo em detrimento de outras tecnologias por uma questão puramente económica. Sinto mesmo a necessidade de afirmar que a exploração petrolífera tem sido forçada e oprime o desenvolvimento de outras tecnologias. Nos anos 70, durante a grande crise petrolífera o desenvolvimento e divulgação da energia solar, por exemplo, atingiu o seu auge e apenas graças à intervenção do grande lobbing petrolífero conseguiu-se que os preços do petróleo e gás natural baixassem prematuramente, convencendo-se assim a sociedade a abandonar a ideia de energias alternativas. Entretanto as gavetas das grandes empresas petrolíferas foram-se enchendo de patentes para energia eólica, solar, etc... O adiamento do problema parecia não ter data definida, mas aqui estamos, cerca de 30 anos depois o preço do petróleo atinge um recorde histórico acima dos $ 50 por barril e não se prevê uma redução significativa tendo em conta o desenvolvimento económico da China e da Índia, dois países que “só agora começam a ter verdadeiramente sede de petróleo”. É caso para desejar um novo inicio. Temos de nos apressar, instalar colectores solares, apostar na energia das ondas, incentivar a investigação na melhoria das soluções tecnológicas já existentes. A Energia é o factor condicionante para o desenvolvimento de um país e terá de ser obrigatoriamente pela mudança de recursos energéticos que poderemos aderir ao desenvolvimento sustentável e resolver uma grande parte dos nossos problemas ambientais.Um Novo Inicio significará contudo, menos monopólios e mais autonomia energética de cada indivíduo. Será que é disso que eles têm medo??!

Comunidade Portuguesa de Ambientalistas
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